7 de julho de 2009

Inevitável comparação


Após a apresentação de Cristiano Ronaldo, foi inevitável a comparação com a festa promovida uma semana antes para a chegada de Kaká.

Tem sido assim desde que os dois foram contratados. E deve ser assim por muito mais tempo, quando os dois estiverem em campo.

A imprensa nacional, principalmente a não esportiva, se prendeu aos números de público: nas contas do Real Madrid, quase 85 mil para o português contra 40 mil do brasileiro.

Na verdade, acho que foi um pouco menos. Quando Kaká chegou, falava-se em 35 mil e esse número foi inflando. Para Cristiano Ronaldo, 85 mil seria a lotação do estádio. Não foi tanto.

O fato é que Kaká e Cristiano Ronaldo são mesmo diferentes. Em todos os aspectos. É quase como se fossem mocinho e vilão.

E, convenhamos, existem vilões que são muito mais amados que certos mocinhos. Tem sido assim com o craque lusitano, novo dono da camisa 9 merengue.

E se é pra comparar, então, que o façamos em todos os aspectos:

Kaká custou 65 milhões de euros.
C.Ronaldo custou 94 milhões de euros.

Kaká levou quase 40 mil torcedores ao Santiago Bernabeu. Metade do estádio.
C.Ronaldo levou mais de 80 mil e bateu o recorde histórico de apresentações de jogadores, lotando a casa madridista.

A apresentação de Kaká tinha um mistério a mais: qual seria o número que o craque iria vestir. Já o portuga entrou com uma ousada camisa 9 escrita apenas Ronaldo, sem o C. que usava no Manchester United, quase uma provocação ao Fenômeno brasileiro que usou o mesmo número em sua segunda temporada em Madri (vale lembrar que inicialmente Ronaldo foi 11).

Kaká mostrou a camisa 8 e balançou.
C.Ronaldo beijou o escudo do Real.

Kaká decorou um discurso em espanhol, língua que pouco domina.
Cristiano Ronaldo se deixou levar pela emoção e foi no improviso.

A torcida escutou Kaká atentamente.
O gajo mal conseguia falar. A torcida ia ao delírio a cada 5 palavras ditas pelo português.

Kaká, maduro, parecia mais acostumado a grandes públicos.
C.Ronaldo se mostrava emocionado como um menino diante da multidão.

Kaká e Cristiano Ronaldo encerraram o discurso com o mesmo “Hala Madrid” para inflamar o público. O brasileiro o fez timidamente e balançou o estádio. O português convocou a torcida para gritar junto numa contagem até 3, gritou com as mãos para o alto e quase derrubou o Santiago Bernabeu.

Após o discurso, Kaká cumprimentou, autografou, desfilou.Cristiano Ronaldo fez questão de brincar com a bola, fazer seus malabarismos.

Dentro de campo, acho que os dois vão se equivaler. Melhor: podem se completar. Kaká é marido. Cristiano é amante.

Ou, parodiando a ótima letra de Arnaldo Jabor em Amor e Sexo: Cristiano Ronaldo é do bom. Kaká é do bem.

Kaká é amor. Cristiano Ronaldo é sexo.

Confesso que me empolguei mais com a apresentação do português. E discordo de quem acha que ele foi falso ao dizer que estava realizando um sonho de criança. Todo garoto europeu quer jogar no maior clube do mundo. Por que com ele seria diferente?

A emoção estava estampada no rosto de Cristiano Ronaldo. Depois dessa, ninguém mais segura o rapaz. Era o que faltava para ele ter certeza de que está no topo do mundo (porque essa desconfiança ele já tinha).

Vale a pena rever abaixo o grande momento da apresentação:


4 comentários:

Karan disse...

O Real Madrid deu, realmente, uma aula de como alegrar seu público, chamar a atenção do mundo inteiro (seja o do futebol ou não) e, claro ganhar dinheiro - mesmo com o tamanho do investimento. Porém, acho que pisaram feio na bola em duas questões: Fazendo duas apresentações distintas com tal magnitude, os próprios dirigentes merengues acabaram "colocando Kaká em segundo plano". Sorte deles que foi nessa ordem e Kaká é muito mais centrado que Cristiano, senão, a vaca começava a ir para o brejo ali mesmo; outro ponto deprimente foi terem entregue a camisa 9 para um "Ronaldo", que nem teve a decência de inserir seu "C." antes, como se quisesse comparações ainda impossíveis. Remexe de forma negativa na história do maior clube do mundo. Falta muito para C.Ronaldo ser Ronaldo - e acho que para sempre faltará.

fe_chiari disse...

Taticamente falando... como o Real vai ser escalado???
Ontem na ESPN o Paulo Calçade disse que o único atacante seria Benzema. Com Ronaldo (na direita), Kaká (pelo meio) e mais um (pela esquerda), vindo de trás. Nesse cenário, é difícil imaginar Raul no time. Mais difícil ainda é imaginá-lo fora do time.
Pellegrini, boa sorte!

Filipe Abreu disse...

Concordo com você Chiari. Difícil imaginar o Real Madrid sem o Raúl. Tirá-lo do time, pra mim, é o começo dos problemas que afetaram o vestiário, veja bem, o vestiário, do time galático.

Pellegrini, boa sorte! [2]

Anônimo disse...

Júnior,

Tudo bem contigo? Sou estudante do oitavo semestre de jornalismo e apaixonado por futebol. Tenho apresentações do meu trabalho em rádio e TV como convidado. Como posso enviar pra vc? e-mail: antonio.boaventura@yahoo.com.br